A experiência chinesa de enfrentamento da crise ambiental e de construção de um novo modelo de desenvolvimento foi tema do programa Momento China USP, da Rádio USP, apresentado pela jornalista Márcia Carini. O programa contou com a participação do pesquisador do Centro de Estudos Avançados Brasil-China (Cebrach), Theófilo Rodrigues, e do presidente da Fundação Maurício Grabois, Walter Sorrentino. A entrevista discutiu o conceito de “civilização ecológica” a partir do livro Perspectiva Ecológica da Modernização Chinesa, de Zhang Yongsheng, lançado no Brasil pela Fundação Maurício Grabois, pelo Cebrach e pela Editora Anita Garibaldi.
Durante a entrevista, Theófilo Rodrigues destacou que a questão ambiental não deve ser compreendida apenas como um conjunto de políticas destinadas a reduzir os impactos da atividade econômica, mas como parte de uma transformação mais ampla da relação entre sociedade, economia e natureza. Nessa perspectiva, a chamada civilização ecológica representa uma dimensão estratégica do desenvolvimento socialista chinês, na qual a proteção ambiental deixa de ocupar um lugar secundário e passa a integrar o próprio projeto de desenvolvimento. Para o pesquisador, trata-se de uma formulação que, embora tenha adquirido centralidade na experiência chinesa, possui implicações que ultrapassam as fronteiras do país.
A experiência chinesa chama atenção também pela escala das transformações realizadas nas últimas décadas. O país, que durante seu processo acelerado de industrialização enfrentou graves problemas de poluição, passou a implementar políticas de recuperação de rios e lagos, expansão das fontes renováveis de energia e redução das emissões de carbono. A China tornou-se líder mundial em diferentes setores das tecnologias verdes, com forte expansão da energia solar e eólica, além do crescimento da produção e da circulação de veículos elétricos. Essas mudanças ajudam a explicar por que a experiência chinesa passou a ocupar espaço crescente nos debates internacionais sobre transição energética e enfrentamento da crise climática.
Presidente da Fundação Maurício Grabois, Walter Sorrentino abordou a importância da cooperação entre instituições brasileiras e chinesas para ampliar o conhecimento sobre essas transformações. O lançamento do livro no Brasil resulta de uma parceria com a Academia Chinesa de Ciências Sociais, instituição à qual está vinculado o autor da obra. Para Sorrentino, iniciativas como essa contribuem para aproximar pesquisadores dos dois países e estimular um debate mais qualificado sobre as transformações econômicas, sociais, tecnológicas e ambientais em curso na China.
A discussão promovida pela Rádio USP também colocou em evidência o conceito de “civilização ecológica”, adotado pela China como uma diretriz de longo prazo para combinar desenvolvimento econômico, proteção ambiental e inovação tecnológica. A experiência chinesa, marcada pela expansão das energias renováveis, pela eletrificação dos transportes e por políticas de recuperação ambiental, vem despertando o interesse de pesquisadores e formuladores de políticas públicas em outros países. No Brasil, o debate ganha relevância diante dos desafios impostos pela crise climática e da necessidade de conciliar desenvolvimento, reindustrialização e preservação ambiental.




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